terça-feira, 21 de junho de 2011

O ÚLTIMO MUGIDO DO HOMEM

DEPOIS QUE VOCÊ MUGIR ESTE CONTO,FAÇA SEU COMENTÁRIO. É MUITO IMPORTANTE.MAGNUN

Um Fazendeiro, sujeito simples de vida pacata, morava na sua pequena propriedade que ficava longe da Cidade.
Sua esposa era uma mulher muito humilde, que trabalhava dia e noite.
Não cansava nunca.
De dia fazia os afazeres da casa e da fazenda, dentro de suas atribuições, já estabelecidas há muito tempo pelo casal.
A noite, quase sempre via seu marido na bebedeira.
Eram incontáveis as vezes que foi buscá-lo no pasto caído e sem forças no capinzal.
Era muito trabalhador, mas ao cair da tarde começava a tomar umas e outras e com isso não tinha forças pra voltar.
E ainda convivia com um problema delicado.
O pobre Homem tinha uma obsessão.
Admirava o comportamento das Vacas.
Era apaixonado por Vacas.
As vezes ficava horas e horas observando-as comer um capim ou ração.
Deve ser muito boa uma vidinha dessas.
Pensava ele.
Isso sempre despertava ciúmes e raiva na sua mulher.
Ela já não agüentava mais dividir sua vida com bebedeiras e ainda por cima com Vacas.
Às vezes ela pensava que ele gostava mais delas do que dela própria.
Sempre após a ordenha, ele acompanhava as Vacas até o pasto e ficava ali olhando.
Ele chegava a ficar mastigando com sua boca seca, imitando o gesto que a Vaca fazia.
Como era gostoso aquilo.
-Um dia Deus ainda vai te castigar.
Dizia sua humilde senhora.
Certa vez em uma de suas andanças pelo pasto, resolveu se sentar debaixo da árvore pra descansar e beber uma aguinha.
Num desses cochilos roubados da vida, adormeceu não se sabe por quanto tempo.
O dia já clareava quando abriu os olhos e se assustou.
Lá estava ele no meio da boiada, pegando firme no capim e na pastagem.
Havia se tornado Vaca.
Era uma Vaca rajada, como sempre sonhou.
Tentava pegar um Capim aqui, outro ali.
Como era ruim aquilo.
À cada touceira de capim que mastigava, vomitava tudo, até as tripas sair pra fora.
Seu estômago já estava doendo.
Só de olhar para o capim, sentia náuseas.
Lá embaixo viu uma revoada de Bezerros vindo em direção à boiada.
Até que enfim iria conhecer seu filho.
Era uma Vaca de primeira viagem.
De repente sentiu um puxão vindo de suas partes íntimas, seguindo de outro e mais outro.
Aquilo doía bastante.
Olhou para suas partes baixas, e viu um Bezerro já bem grandinho, fazendo movimento pra lá e pra procurando leite.
Cada pancada era um mugido.
Parece que não tinha leite porque o coitado dava cada chicotada.
Já não agüentava mais.
Tentou correr pra se desvencilhar daquele intrometido Bezerro, mais não adiantava.
O Bezerro corria mais.
Por que esse danado ainda quer mamar?
Com tanto capim que tem por aí.
Sentiu fome.
Não havia conseguido comer nada.
Lembrou-se do coxo que ficava do outro lado da casa.
Lá deve ter coisa melhor.
Mas também não agüentou.
Era sal puro, era ração pura.
Era comer e vomitar.
A tarde já chegava quando avistou uma Mulher, em cima de um Cavalo, vindo em sua direção.
-Ufa, até que enfim.
A Mulher a separou do Bezerro e também de todas as outras companheiras.
Esta noite ela iria dormir em pasto separado.
Por não estar produzindo leite, ficaria de castigo isolado, para aprender que ou dava leite ou iria para algum Frigorífico.
Isto a entristeceu muito, porque sempre teve medo de dormir sozinha.
-E se aparecer uma Onça?
-Além disso, tinha as Cobras, Aranhas, muito comuns na região.
Isso tudo passava pela sua cabeça.
Nessa noite não dormiu.
Tentou dormir em pé, mais estava fraco e seu corpo estava pesando muito.
Deitou-se no capim, mas lembrava das Cobras e levantava na hora.
O senta levanta durou a noite inteira.
Lá pelas tantas da madrugada, quando começou a cochilar, escutou a voz grossa da Mulher.
-Eeeeiiiaaa..
-Vaaaaaca.
Era a hora da ordenha.
-Mas a essa hora?
-Isso é hora de acordar os outros?
Não teve jeito.
A Mulher era implacável.
Horário é horário.
Juntou-se a outras Vacas e foram todas para o curral.
-Ai meu Deus.
-Lá vem aquele desgramado daquele Bezerro de novo.
A Mulher gritava muito.
As Vacas não a desobedeciam, pois todas sabiam o que poderia acontecer.
Era isolamento na certa.
A Mulher fez a ordenha uma por uma.
Havia chegado a sua vez.
Um arrepio tomou conta de seu couro já surrado de suor.
Lá vem o Bezerro.
Não sabia se estava com medo do Bezerro ou da Mulher.
Não tinha se alimentado desde então, por isso era certeza que não tinha leite.
Quando a porteira se abriu, o Bezerro veio em disparada em sua direção.
Ficava pensando.
Bem que ele podia errar de Vaca.
Mas não errava.
Mãe é mãe.
Ela já se posicionava com as pernas bem abertas, já se preparando para o baque.
A primeira pancada sempre vem mais forte.
E ainda sentia dores da última pega do Bezerro.
Fechou os olhos e esperou.
Não sabia qual doía mais.
A pancada ou as mordidas.
Soltou um grande mugido no curral e com isso deu-se um grande alvoroço e correria das outras Vacas.
Isso enfureceu a Mulher que detestava desobediência.
O Bezerro estava impaciente.
Puxava de um lado de outro.
Nada de leite.
A Mulher tentou uma ordenha.
Por um momento sentiu seu corpo estremecer.
Parecia conhecer aquelas mãos.
Mas a Mulher apertava muito, dava sopapos e nada.
Não tinha leite.
A Mulher xingava e gritava muito.
Estava enfurecida.
-Traste inútil.
-Vaca sem serventia.
-Vai pro matadouro amanhã sua inútil.
Ouvindo isso, a Vaca se desesperou.
E mugia baixinho.
-Desce leitinho, desce leitinho.
Mas a Mulher era valente e muito ruim de natureza.
-Vou te mandar para o abatedouro.
E assim o fez.
Já passava das duas da tarde, quando estaciona na Fazenda, um desses gaiolões de carregar Vacas.
De longe isolada no pasto, ficou apavorada.
-Desce leite, pelo amor de Deus, desce.
-Desce leitinho.
Ouvira falar muitas vezes, o modo que fazem no abatedouro.
Primeiro deixam enclausurado ou fechado, sem alimentação e água, dizem que é pra perder peso, depois esquartejam e levam para os açougues.
Ficou pensativa e olhava em direção à suas companheiras.
Certamente elas estavam dizendo.
-Coitadinha, mas antes ela do que nós.
Não chorou, porque Vaca não chora.
Não xingou, porque Vaca não xinga.
Mas se um dia aquela Mulher passar perto dela, ela vai levar um coice,
Ah, se vai.
Dois Homens vem se aproximando juntamente com a Mulher má.
-Birita, vem Birita, ooooaaaaa.
-Birita...
Meu nome é Birita?
-Vem Birita.
Gritava a Mulher cutucando muito com uma vara de ferrão.
E nada.
A Vaca não arredava pé.
Não queria ir.
Os gritos aumentaram.
-Levanta traste, Coisa inútil.
A Mulher o pegou pelas pernas e dava tanto safanão, que ele já não agüentava mais.
Doía por todos os lados do corpo.
-Acorda traste, vai tirar leite.
E ele com voz bem aguda, dizia.
-Desce leitinho, desce.
-Desceeee.
-Ta vendo o que dá tomar birita?
-Acorda seu traste vagabundo.
O Homem abriu os olhos, olhou para os lados, se viu deitado no meio do capinzal, mijado, lambrecado e chorando muito, abraçou sua pobre companheira e lhe pediu perdão por tudo que a tinha feito passar em todas as suas vidas.
E lhe prometeu que nunca mais iria colocar um pingo de bebida na boca e quanto as Vacas, bem,
Quase que a Vaca vai para o brejo.
Ainda bem que neste sonho não tinha Boi.
MAGNUN

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